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17 de julho de 2016

Meu mundo em palavras


     Eu tenho tanta coisa na minha cabeça agora. Milhares de palavras estão presas na minha garganta sem que eu consiga colocá-las pra fora. É doloroso, juntar tantos pensamentos, mas não conseguir dizê-los a ninguém. Então, tentando buscar um pouco de alívio, eu escrevo.

     Eu digito, paro, leio, penso, reflito e deixo pra lá. Aí eu pego, releio, rabisco, repenso, reescrevo e deixo pra lá mais um pouco. Eu faço isso dezenas de vezes, buscando melhores palavras e expressões mais precisas. Então eu apenas paro e olho, procurando a simetria nos parágrafos.

     Um parágrafo muito grande e outro muito pequeno não dá, né? E quando a frase é grande demais, ou pequena, e não consigo achar o melhor lugar para a bendita vírgula? Deus, que vontade de tacar um dane-se e deixar de qualquer jeito... Imagina se eu tivesse que falar tudo isso!

     Eu olho mais um pouco, vendo se consegui fazer um pouquinho de sentido. Enfeito, coloco em negrito e itálico... Tento deixar bonito, mas não muito pessoal, o meu desabafo, pensamento, reflexão, ou a minha imaginação boba que cria um tanto de coisa que nem sei porque.

     E aí eu publico, deixo a disposição de pessoas estranhas os meus pensamentos e medos mais íntimos, disfarçados de alguma coisa, fingindo ser outra... Eu escrevo o que de alguma forma me invadiu e eu não consegui dizer. E aquilo que eu tanto segurei fica aí, jogado e enfeitado, pra quem quiser olhar.

17 de março de 2016

Você precisa saber

amor, felicidade

     Hoje eu acordei pensando sobre como você é especial. Tem uma coisa, aí dentro do seu peito, que é feita de Luz. Eu sei disso e sei também que algumas vezes você não se lembra ou percebe. Você tem essa força que está todinha aí, que te ajudou a conquistar muito e ser vitorioso por diversas vezes.

     Frequentemente acontecia de eu só me lembrar dos meus fracassos, erros e falhas, mas esquecer daquela meta batida, objetivo atingido, sonho alcançado... Talvez seja porque quando eu estudava e tirava nota baixa, ouvia um monte, mas quando a nota era boa ouvia "porque não foi 10?", ou, se fosse 10, "não fez mais que a sua obrigação".

     E aí, talvez, uma parte de mim tenha entendido essa brincadeira de modo errado... Passou a achar que o sucesso máximo em tudo é obrigatório, não motivo para comemoração e que qualquer coisa menor que isso é falha. É aquele vermelho destoante, prova do fracasso, num boletim todo azul.

     Então, pensando que você também possa estar passando por isso, eu vim te dizer para parar. Parar de se esquecer do poder que você tem, das dificuldades que já venceu, se lembrando só dos tropeços que, eu sei, apenas aconteceram para te ensinar algo e ajudar a evoluir.

     Esse ano não pode continuar e terminar, nem o outro começar, sem que você saiba que é amado. Que traz conforto para alguém, que pode enfrentar tudo nessa vida. O seu sorriso ilumina o mundo inteiro e o seu riso contagia a toda multidão. Reconheça esse poder que há dentro de você, ele está pulsando bem agora, pronto para ser usado.

     Você precisa saber que é mais forte do que pensa. Você pode tudo, qualquer coisa que desejar. O mundo é seu e você pode mais, você pode ir além. Você é digno e merecedor do inimaginável, de coisas grandiosas... E eu só escrevi esse texto para te lembrar disso!

9 de março de 2016

Enquanto eu te esperava

e amei, e chorei, e sofri, e pensei e...

Eu te esperei e te esperei e te esperei

E enquanto te esperava
eu te amei e te amei e te amei

E enquanto eu te amava
eu me deixei e me deixei e me deixei

E enquanto me deixava
eu sofri e eu sofri e eu sofri

E enquanto eu sofria
eu chorei e eu chorei e eu chorei

E enquanto eu chorava
eu pensei e eu pensei e eu pensei

E enquanto eu pensava
eu parei e eu parei e eu parei

E enquanto eu parava
eu me olhei e me olhei e me olhei

E enquanto eu me olhava
eu me enxerguei e me enxerguei e me enxerguei

E enquanto eu me enxergava
eu me descobri e me descobri e me descobri

E enquanto eu descobria
eu te esqueci e te esqueci e te esqueci

E enquanto eu te esquecia
eu não te esperei e não te amei e nem sequer de ti lembrei

Então você voltou e me olhou e me viu e me quis,
mas eu me escolhi e lhe sorri e disse adeus e me virei e então parti.

2 de fevereiro de 2016

Chuva de verão

It's raining

     Eu sentei na cadeira, depois de ter passado pano na casa, lavado a louça, pego a roupa da máquina e colocado no varal. Eu sentei e respirei fundo, abri meu notebook e liguei, indo direto no site que eu tanto gosto. Coloquei os fones no ouvido e dei o play no vídeo daquele canal engraçado e fiquei rindo durante os seus seis minutos de duração.

     Tirei o fone, recuperando o fôlego e ainda achando graça de algumas partes do que havia acabado de assistir. Joguei os braços pro alto enquanto me espreguiçava e, aos poucos, fui percebendo um barulho diferente ao do canto dos passarinhos que sempre enchem as minhas tardes... Olhei para a janela e a ficha caiu dois segundos depois, estava começando a chover.

     Levantei num pulo que me deixou meio tonta, ouvindo o cachorro que estava deitado aos pés da minha cadeira choramingar. Pulei os outros dois que se levantavam assustados e corri lá pra fora, esquecendo o chinelo pelo meio do caminho. Eu puxava as roupas do varal com força, me irritava com os pregadores que atrapalhavam meu serviço e gritava para os cachorros, que haviam me seguido, voltarem pra dentro.

     Entrei em casa pela porta da cozinha, os braços cheios, pesados, com a roupa ainda molhada. Coloquei tudo na mesa da cozinha, já indo de comodo em comodo, fechando as janelas, puxando com o pé os tapetes que já tinham molhado. Após tudo fechado, rearrumei o tapetinho e comida dos cachorros do lado de dentro, desci pra lavanderia com as roupas e tive que estender lá mesmo, tudo de novo, na sala pouco ventilada.

     Quando subi estava cansada, respirando fundo, mas já conformada. Voltei pra minha cadeira e sentei, apoiando as costas no encosto e fechando os olhos. Inspirei profundamente e expirei, prestando atenção no silencio, então eu sorri ao ouvir os passarinhos. O sorriso morreu, olhei pela janela e vi o sol brilhando... A chuva havia passado.
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